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23 de nov de 2016

Verdades e Mitos sobre a inclusão de gorduras na alimentação infantil

Muitas vezes relacionamos as gorduras ou lipídios à uma má alimentação. De fato, o nutriente pode estar ligado a quadros de obesidade e a doenças cardiovasculares, no entanto, é importante esclarecer todas as funções que o nutriente exerce em nosso corpo, especialmente durante os primeiros 1000 dias dos pequenos.

O DHA, por exemplo, já é conhecido por muitas mamães, e esse nutriente é uma gordura e também o principal responsável pelo desenvolvimento do cérebro e, consequentemente, das funções cognitivas das crianças. Além disso, a gordura também está ligada à uma melhor absorção de todos os nutrientes que ingerimos e ao bom funcionamento do nosso sistema imune. 

Confira abaixo os principais verdades e mitos sobre a gordura na alimentação infantil

Verdades

As gorduras não são apenas responsáveis por manter a temperatura corporal 
O nutriente também regula a estrutura metabólica de todo o corpo. Isso acontece. pois a gordura atinge e altera a composição lipídica das membranas celulares, influenciando na forma como as células absorvem todos os outros nutrientes provenientes da alimentação. Como resultado, órgãos e tecidos têm sua formação e funcionamento beneficiados.

O cérebro e a retina são especialmente beneficiados pelo consumo de gorduras
Tanto o cérebro como a retina têm como principal componente esse nutriente.

Quanto maior o consumo de um tipo de gordura (especialmente o DHA) pela lactante, maior será a sua concentração no leite
A alimentação da mulher influencia diretamente na composição do leite materno, principalmente sobre a quantidade e qualidade das gorduras presentes. Atualmente, é recomendada a suplementação de 200 mg por dia de DHA.

Gorduras, quando ingeridas em conjunto e em equilíbrio. são responsáveis por um satisfatório desenvolvimento físico, imunológico, cerebral e metabólico das crianças Essas gorduras compreendem os lipídios mais importantes para a saúde das crianças, o ômega 3 e o ômega 6.

Mitos

As gorduras ou lipídios engordam e servem apenas para guardar estoque de energia em nosso tecido adiposo Gorduras são necessárias e fundamentais para a saúde.
O consumo balanceado dos tipos existentes de lipídios podem melhorar o desenvolvimento de crianças, especialmente durante os primeiros 1000 dias de vida. Além disso, as vitaminas A, D, K e E, provenientes da alimentação, necessitam das gorduras para serem dissolvidas e digeridas pelo corpo.

As gorduras não estão presentes no leite materno e não são importantes para os bebês
As gorduras são o segundo maior componente do leite materno, sendo a principal fonte de energia para o bebê.

 A gordura é responsável pelo ganho de peso excessivo e pelo surgimento de doenças cardiovasculares
O consumo de gorduras, especialmente do ômega 3 e do ômega 6, é essencial. Porém deve ser balanceado, não se deve consumir gorduras saturadas em excesso. São as gorduras poli-insaturadas que mais contribuem com a saúde, especialmente nos primeiros 1000 dias de vida.

A ingestão de salmão e/ou a suplementação com óleo de peixe, uma das fontes mais ricas em ômega 3, durante a gravidez parece aumentar o desenvolvimento de doenças alérgicas 
O consumo diminui o desenvolvimento de doenças alérgicas, pois tais gorduras podem influenciar na estrutura e função das membranas das células do sistema imune.

Os primeiros 1000 dias

Os primeiros 1000 dias compreendem toda a gestação, além do primeiro e segundo anos de vida da criança. É nesse período que o corpo humano mais se desenvolve e recebe os primeiros estímulos do meio-ambiente. Apesar de nascermos com um DNA predeterminado, pesquisas¹ mostram a crescente importância que a epigenética apresenta para a saúde a longo prazo. Isso significa que, mesmo após o nascimento, com os estímulos corretos, é possível modificar os genes e melhorar a saúde do indivíduo por toda a sua vida e também das próximas gerações. Além da epigenética, também há outros fatores que devem ser considerados para melhorar a saúde a longo prazo, como o cuidado com a alimentação da criança, que deve incluir diferentes tipos de gordura em sua composição.

Fonte: Danone Early Life Nutrition Brasil 

16 de nov de 2016

Dicas para viajar de avião com o bebê

Viajar com crianças é difícil, publiquei há um tempo sugestões de brinquedos para entreter criança no avião (clique aqui para ler), mas e quando viajamos com bebês? Já passei por essa experiência, 30 horas dentro de um avião com um bebê de cinco meses (e uma criança de cinco anos!!!) e posso garantir que foi um desafio e tanto.

Pensando nessas dificuldades o pessoal da Paula Laffront, consultoria de compras em Miami, Orlando e Nova York, fez uma lista com 10 dicas para viajar de avião com o bebê, já que é cada vez maior o número de mães que viajam para comprar o enxoval de 1 a 3 anos dos pequenos e não podem deixar o bebê por aqui.


10 dicas para viajar de avião com o bebê

1. Leve o carrinho até a porta do avião e não deixe de colocar na bolsa de viagem (que vem acompanhando o carrinho) para entregar para a companhia aérea, caso contrário terá uma surpresa nada agradável com as condições quando chegar ao seu destino;

2. É importante ter em mãos um canguru/sling pois o carrinho não será entregue de volta na porta do avião quando vocês chegarem lá, ele será entregue apenas na esteira junto com as malas, assim você consegue carregar o pequeno com você de maneira mais cômoda, carregar as bolsas de mão e até pingar um colírio, se for o caso;

3. Uma dica que parece ser nem um pouco prática, mas que na hora “H” é um sonho, é levar o travesseiro de amamentação pois o bebê acaba dormindo em algum momento e com ele fica bem mais confortável a acomodação na poltrona do avião; 4. Poucas mamães sabem, mas se o seu bebê tiver até 5 meses, ainda dá pra reservar um bercinho com a companhia aérea, já perto dos 10 meses a dica do travesseiro de amamentação cai bem melhor;

5. No avião também tem o desconforto auditivo devido à pressão, para não tapar/doer o ouvido do pequeno, ele precisa mamar (peito, mamadeira) ou ainda sugar a chupeta (caso ele já seja adepto) na hora da decolagem e na hora do pouso, isso ajuda bastante, além da distração;

6. As luzes do avião não apagam até tarde e os bebês não conseguem dormir, por isso levar uma fita adesiva (tipo fita crepe) pra colar nas luzes do avião parece ser uma ideia maluca, mas ela acaba deixando a luz mais “ambiente” e aconchegante, do jeitinho que eles gostam;

7. Sobre a documentação, como se trata de uma viagem internacional, o pequeno já deve ter um passaporte, mas atenção à data de validade porque passaportes de crianças menores de 5 anos valem menos tempo do que de adultos. Se atente também ao visto, à carteira de vacinação sempre na mão e, caso você viaje sozinha com ele, – sem o pai – será exigida uma autorização do pai com firma reconhecida. Esse processo burocrático costuma ser nada prático, qualquer detalhe errado conta, então providencie isso assim que comprar as passagens;

8. Prepare a bolsa de passeio do seu filho de forma extremamente exagerada, lá em cima os improvisos não podem existir, mesmo porque quem quer sair pedindo fralda emprestada em pleno voo? (e vai que você é a única “maluca” viajando com criança no avião?) Se lembre de levar tudo a mais: muitas fraldas, fralda de pano (para o apoio do bebê nas trocas, seja onde for), fraldas de boca, lencinhos umedecidos, chupetas, mamadeiras, babadores... mais é mais seguro neste caso!

9. E não tenham vergonha de trocar seu bebê seja onde for, algumas aeronaves possuem fraldário, mas não são todas, então logo que entrar já se informe e se prepare para trocas de fralda na poltrona do avião mesmo, no bercinho... o importante é seu bebê não ficar desconfortável. Ah, e ninguém vai pensar “que mãe sem noção”, pelo contrário, este é um ato de amor, carinho e cuidado com os pequenos;

10. E por último a passagem do pequeno, quanto pagar de verdade? Os menores de 2 anos podem ser cobrados, mas se não ocuparem um assento, o valor tem que ser até 10% da tarifa. Os maiores de 2 anos já devem ter seu lugar garantido no avião (afinal eles adoram ter o seu lugarzinho e se sentem especiais, ainda mais num avião), então pagam tarifa mesmo. Cada companhia define seu desconto, que pode chegar até 50%. Confira antes de sair pagando tudo.

9 de nov de 2016

Meu filho engasgou. O que fazer?

Não espere seu filho engasgar para saber o que fazer! Neste texto a pediatra Dra. Priscila Zanotti Stagliorio explica como fazer se seu filho engasgar com algum alimento ou objeto. Leia e releia com atenção!

Sabemos que o engasgo pode acontecer em uma fração de segundos e isso é muito perigoso, especialmente, em crianças na faixa etária entre 1 e 3 anos de idade, período este em que elas ainda não conseguem controlar a mastigação e deglutição de alimentos por falta dos dentes molares (dos fundos) que contribuem para a trituração dos alimentos. Embora o tema assuste, é necessário estarmos preparados (física e emocionalmente) para saber agir rápido e utilizar as técnicas corretas para salvar a vida de uma criança. 
Neste texto, hoje, vou falar um pouco sobre o assunto e apontar as possíveis causas e consequências de um engasgo na infância. A ideia é orientar e ajudar pais e mães no cuidado diário de seus filhos com o objetivo de evitar acidentes com objetos, alimentos e líquidos.


Engasgou? Saiba o que fazer

O que é o engasgo
O engasgo é caracterizado pela dificuldade de respirar devido a presença de corpos estranhos na garganta. 
Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, “corpo estranho (CE) é qualquer objeto ou substância que inadvertidamente penetra o corpo ou suas cavidades. Pode ser ingerido ou colocado pela criança nas narinas e conduto auditivo, mas apresenta um risco maior quando é aspirado para o pulmão.
Qualquer material pode se tornar um CE no sistema respiratório, e a maior suspeita de que o acidente ocorreu é a situação de engasgo. Isto ocorre quando a criança está comendo, ou quando está com um objeto na boca, habitualmente peças pequenas de brinquedos”.
Faixa Etária de maior incidência
A idade de maior incidência de engasgo e até mesmo de paradas cardiorrespiratórias por aspiração de corpos estranhos (CE) acontece entre 1 e 3 anos de idade, mais em meninos do que em meninas por possuírem uma “natureza mais impulsiva e aventureira”. Porém, não podemos descartar outras faixas etárias, porque os incidentes também acontecem em crianças maiores – seja por alimentos, brinquedos e líquidos.

Sintomas
A tosse pode ser o primeiro indício de engasgo após a ingestão do corpo estranho (CE), assim como o aparecimento de chiado súbito no peito em crianças que não apresentam casos de alergia. Falta de ar, lábios e unhas arroxeadas e ronquidão também sugerem este quadro. 

Quando a criança apresenta somente a tosse e expele o objeto que provoca a asfixia, podemos caracterizar como engasgo “mais leve”, do qual não necessita de intervenção física (técnicas de desengasgo), mas é importante levá-la o quanto antes para o atendimento médico adequado.
No caso de asfixia total, quando a criança não consegue respirar, tossir, esboçar nenhuma reação, som ou ficar arroxeada é importante intervir imediatamente com técnicas adequadas para desengasgá-la e, após, seguir imediatamente para um pronto atendimento médico.

Objetos e alimentos que mais provocam o engasgo infantil

Para as crianças é difícil entender ou mesmo ter a consciência de que um brinquedo pequeno, alimento ou bebida possam se tornar um objeto perigoso e até mesmo mortal. Cabe aos pais e seus cuidadores dobrar a atenção sobre as ameaças comuns à segurança dos pequenos. 

Brincos, pulseiras, anéis, moedas, imãs e pilhas são comuns ao ambiente das crianças e não são impossíveis de serem ingeridos acidentalmente por elas. Tome cuidado e retire de seu alcança. No caso do uso de brincos e colares nas mulheres, é importante não os usar quando se manuseia a criança para evitar a ingestão acidental por elas em uma brincadeira, por exemplo. 

Alimentos como amendoim, pipoca, frutas e vegetais crus, peixes e frangos, balas e chicletes, uvas, carnes, azeitona, salsicha e leites (especialmente vitaminas) devem ser preparados adequadamente para evitar a ingestão indevida e provocar o engasgo nas crianças, especialmente àquelas que ainda não possuem os dentes molares (dos fundos) que ajudam na trituração. Para alguns alimentos, é importante cortá-los em pedaços muito pequenos e ou amolecidos (cozidos) para ajudar a ingestão. Evitá-los e seguir as orientações da pediatra é outra dica infalível para não sofrer por teimosia.

Quando acontece o engasgo como agir
Em primeiro, os pais ou responsáveis no momento em que acontece um engasgo devem manter a calma para agirem de forma correta e, assim, não colocarem a vida da criança em risco. Depois, identificar se o quadro é caracterizado por engasgo leve ou crônico, como já indicado neste artigo. E aí sim iniciar as técnicas apropriadas para ajudar na asfixia por ingestão de corpo estranho – seja ele qual for (estado liquido ou sólido).

Conheça as diferentes técnicas de desengasgo e suas indicações de aplicação

A manobra de Heimlich é indicada para todos os quadros de engasgo por introdução de corpo estranho, em todas as faixas etárias, inclusive em adultos. O que muda é a forma como e aplicada na vítima e os cuidados após.

Em crianças menores de um ano: é importante realizar a manobra de Heimlich que consiste em virá-la de bruços com cabeça em altura mais baixa do que o quadril, apoiando-a nos braços para garantir a segurança necessária e, também, colocar os dedos de uma das mãos apoiadas entre as bochechas do bebê, com cuidado, e após “dar” cinco tapas fortes na região das costas, entre os ossinhos da costela, para que o corpo estranho seja expelido. 
Caso isso não ocorra, é necessário partir para a segunda etapa da técnica, da qual vira-se o bebê de barriga para cima e com os dois dedos maiores da mão, aperta o diafragma (próximo à altura do estomago) cinco vezes até que o objeto seja expulso ou a criança demonstre reação e seja possível a retirada do que provoca o engasgo, com cuidado para não a machucar e ou empurrar novamente para dentro da garganta.

Engasgo com líquido




Em crianças maiores de um ano: a manobra de Heimlich é aplicada de maneira diferente. Consiste em abraçar a criança (ou adulto) por trás, com uma das mãos em forma de punho fechado (como de um soco) e a outra sobre ela para comprimir a região abaixo das costelas (no diafragma – altura da boca do estomago) em sentido para cima, até que o objeto seja deslocado da via aérea para a boca e jogado para fora, permitindo o retorno dos sentidos e da respiração.
Em seguida, leve a vítima imediatamente para um pronto atendimento adequado. Caso ocorra desmaio, é necessário solicitar ajuda emergencial – pelo telefone e fisicamente – para evitar fatalidades.


Para saber mais sobre a manobra de Heimlich clique aqui, aqui e aqui.

Dra. Priscila Zanotti Stagliorio

É médica pediatra há mais de dez anos, atua na zona norte de São Paulo, em consultório particular, no Pronto Socorro do Hospital São Camilo – unidade Santana, e na rede Dr. Consulta – unidades Tucuruvi e Santana. Em seu currículo possui diversas participações em congressos, cursos de especialização e atuações em prontos socorros, clinicas e ambulatórios médicos da grande São Paulo – Capital. Também oferece curso personalizado para gestantes e mamães com recém-nascidos, com o objetivo de ajudá-las na mais importante missão de suas vidas: ser mãe – com dicas de cuidados, bem-estar e rotina nos primeiros meses.

24 de out de 2016

Planejamento financeiro e mesada para crianças

Um breve olhar sobre o dia a dia de nossas crianças e adolescentes mostra que a realidade atual é completamente diferen­te daquela vivida nas décadas de 1970 e 1980, quando se tinha apenas um par de sapatos para ir à escola e outro para “pas­sear”. Os brinquedos se resumiam a bolas, bonecas e jogos de tabuleiro. No mais, eram brincadeiras e atividades ao ar livre, nas quais a criatividade era mais uma neces­sidade do que uma habilidade. Não havia computador, internet, TV a cabo, videoga­me, celular e iPod. O acesso à informação e as opções de consumo cresceram de for­ma exponencial e, para temperar tudo isso, as estratégias de marketing estão cada vez mais agressivas e bombardeiam os jovens, que certamente não estão preparados para essa overdose de estímulos de consumo de uma infinidade de produtos e marcas.

Esse contexto, aliado a outros fatores sociais, tem proporcionado profundas trans­formações nos valores familiares e na ma­neira pela qual os filhos modernos se rela­cionam com seus pais. A demanda para os adultos de hoje é muito mais frequente e in­tensa. Os pedidos são feitos a todo instante, desde a roupa que “precisa” ter o desenho daquele personagem até o tênis de determi­nada marca que custa mais que um salário mínimo. Isso sem falar nos brinquedos, jo­gos, celulares e apetrechos tecnológicos que parecem ficar obsoletos a cada semana, gerando sensação crescente de insatisfação e novos pedidos de consumo. Duas per­guntas emergem desse quadro de maneira nítida: como administrar essas demandas que pressionam os pais em uma velocidade incrível e como ajudar a preparar os filhos para que se tornem cidadãos e consumidores conscientes, responsáveis, com visão crítica da realidade e conhecedores dos impactos de suas decisões.


Planejamento financeiro e mesada para crianças

Uma importante ferramenta é a famo­sa mesada. Se bem planejada e aplica­da, pode ser um instrumento muito útil no processo de educação, conscientização e amadurecimento dos filhos. Entretanto, o alerta é que o tiro pode sair pela culatra, caso o processo não seja bem ad­ministrado e monitorado. Antes de tudo, é fundamental que os filhos que receberão alguma quantia a título de “mesada” ou “semanada” sejam envolvidos no orça­mento familiar, com nível de detalhamen­to proporcional a cada faixa etária. Para crianças muito novas não faz sentido falar de valores de renda e despesas, mas já é possível explicar que é preciso trabalhar “duro” para ganhar dinheiro e comentar sobre os principais itens do orçamento que necessitam ser atendidos.O primeiro passo na hora de propor a mesada é definir os combinados de utili­zação. O valor deve levar em consideração a idade da criança ou do adolescente e a condição econômica da família, para que fique dentro de uma lógica no seu contexto social e ambiente de convivência. A perio­dicidade também pode levar em conta a faixa etária. Para as crianças menores, é mais fácil administrar quantias a cada se­mana. Na medida em que ela cres­ce, pode-se alongar a periodicidade, pois o desafio de gerenciar intervalos mais longos será parte do aprendizado. Antes ainda de dar os primeiros reais a seu filho, uma dica que costuma ser útil é fornecer alguns co­frinhos, cada qual com um significado di­ferente, para que a criança possa dividir o valor recebido. Uma sugestão inicial é ter um cofre para guardar o valor que será utilizado para o consumo imediato, outro para juntar economias durante certo perío­do, permitindo a aquisição de algo que se deseja, aquele destinado a doações e um último para poupança no banco.

A estratégia dos cofrinhos será uma ótima oportunidade para conversar com seu filho a respeito de conceitos como pla­nejamento, disciplina e caridade. No que­sito poupança, os pais ainda podem esti­mular a criança criando regras de aporte conjunto, por exemplo, a cada real que a criança poupar o pai se obriga a contribuir também com mais um real. Para a estra­tégia realmente funcionar, são necessários alguns cuidados operacionais. Abra efe­tivamente uma conta poupança em nome do seu filho, mostre os extratos e explique os rendimentos. Isso dará concretude ao processo. Planejar o momento de entregar a quantia periódica também é importante. Tenha em mãos o dinheiro trocado para facilitar a organização da criança. Outro detalhe relevante é buscar informações em sua comunidade sobre instituições que pos­sam receber as doações de seu filho.

Existem mais alguns aspectos impor­tantes que devem ser explicados na hora de definir os combinados. Informe que não haverá antecipações e empréstimos. Ima­gine como seria trágico o futuro financeiro de uma criança acostumada a se endividar com a própria mesada. Explique os itens que você espera que sejam consumidos com a mesada. Sugira, mas não interfira na deci­são final. A liberdade de escolha faz parte do processo de aprendizado. Se a criança gastou tudo em figurinhas e faltou dinheiro para o doce, a ideia é justamente que ela aprenda a lição. Outra estratégia interes­sante é vincular a entrega do valor ao cum­primento de tarefas domésticas (arrumar o quarto, ajudar com a louça etc.). Isso contri­bui para o desenvolvimento do senso de res­ponsabilidade e começa a demonstrar que é preciso esforço para conquistar dinheiro.

Os pais são exemplos de consumido­res e poupadores para os filhos; atitudes coerentes são indispensáveis para que as crianças se sintam encorajadas a seguir as orientações paternas. Os filhos devem ser inseridos na realidade econômica da sociedade, sempre respeitando os limites naturais de compreensão de cada idade.

Comente sobre comerciais na TV e notícias econômicas relevantes. Esse ambiente con­tribui para que nossos filhos tenham noção das dificuldades que existem para conquis­tar as coisas e auxilia na formação de um espírito consciente e crítico com a reali­dade que nos cerca. A conclusão é que a mesada pode ser um instrumento extrema­mente rico, no sentido de permitir o desen­volvimento de valores como planejamento, organização, disciplina, caridade e consu­mo consciente, além de ajudar a preparar nossos filhos para tomar decisões tendo em perspectiva as reais consequências de seus atos. Pode dar trabalho, mas nesse investi­mento o retorno é muito compensador!


Referência bibliográfica: ALVIM, Marcelo Arantes; SOARES, Fabrício Pereira. Lar S.A. Você e sua família na rota da prosperidade. São Paulo. Editora Saraiva, 2007.

Por: Marcus dos S. Mingoni
Graduado em Administração de Empresas pela FGV, com MBA Executivo em Finanças pelo Ibmec, Marcus Mingoni é Diretor de Operações da Divisão de Sistemas de Ensino da Saraiva 

23 de ago de 2016

Mitos e verdades sobre o comportamento dos cães com a chegada do bebê

A chegada de um bebê, sem dúvida, modifica toda a rotina da família. Não apenas com os preparativos, durante o período de espera, mas principalmente após recebê-lo. Afinal, os cuidados e atenção se voltam totalmente para o bebê. Todas essas mudanças podem ser ainda mais delicadas quando há cães em casa.

Muitos tutores ficam preocupados com a reação dos cães com a chegada do bebê, pois todo o ambiente será adaptado e é natural que os animais percebam a alteração na rotina. Assim, temendo um comportamento agressivo dos cães, pois alguns demonstram depressão e ciúmes. Sentimentos que, às vezes, não são tratados da forma correta. Para esclarecer as dúvidas e tornar esse processo mais saudável, o zootecnista e especialista em bem-estar animal, Renato Zanetti, separou alguns mitos e verdades para ajudar os tutores a agirem da melhor maneira durante essa nova fase.



Mitos e verdades sobre o comportamento dos cães com a chegada do bebê

1. Cães sentem ciúmes

VERDADE (é um sentimento próximo ao ciúme). ‘Potencial de reter recursos’, este é o nome correto para este sentimento. O cão gosta de determinados objetos ou pessoas e vai fazer tudo para retê-los. O tutor é um recurso que vale a pena.


2. Cães ficam agressivos com a chegada do bebê

MITO. O cão não ‘se torna’ agressivo porque há um novo integrante na família. Se a chegada do bebê não tiver sido bem planejada, ele pode ficar frustrado, entediado, ansioso, apreensivo com a nova situação, emoções que podem ser confundidas com agressividade.


3. Cães podem chamar a atenção com a chegada do bebê

VERDADE. Ao perceber que a atenção (que antes era destinada exclusivamente ao cão) está sendo transferida para o bebê, o cão pode tentar resgatar esta atenção. Ele se valerá de comportamentos que realmente dão certo: latir, uivar, pular, etc. Pois, nestas situações, certamente os pais irão interagir com ele.


4. Cães sabem que na casa há um novo integrante

VERDADE. Não adianta disfarçar. Os cães sabem (pelo cheiro, pelos barulhinhos do bebê e pelo comportamento diferente dos pais) que há algo novo no ambiente. O melhor que se tem a fazer é agir de forma natural.


5. Cães e bebês podem ser grandes amigos

VERDADE. Não é porque o cão perderá o reinado que ele não terá um bom convívio com o bebê. Ambos podem se tornar excelentes amigos. Há muitos mais relatos de amizade entre cães e filhos do que o oposto.


6. Devo mostrar o bebê ao cão logo no 1º dia

MITO. Vá com calma. Se for possível, perfeito. Se a situação ainda não estiver sob controle, deixe o cão entender melhor o que está acontecendo. Preocupe-se mais em criar situações positivas para o cão com a presença do bebê, do que colocá-los juntos logo no 1º dia.


7. Cachorro mimado sofre mais quando perde p status de "filho único"

VERDADE. O cão perdeu o status de preferido da casa. Não porque sua família não tem mais interesse pelo cão. Simplesmente porque os pais precisam dividir o tempo disponível com o bebê, que demanda atenção em tempo integral.


8. Posso deixar meu bebê sozinho com meu cão, pois já são amigos

MITO. Jamais deixe uma criança sem a supervisão de um adulto junto de um cão. O comportamento da criança pode ser imprevisível (puxar o rabo, apertar as orelhas, etc) em situações nas quais seu cão ainda não fora ‘testado’.


9. Devo ensinar meu cão a ser mais independente e a ficar sozinho

VERDADE. Não é sinal de falta de amor ensinar independência ao cão. É torná-lo apto para sua inserção num ambiente humano. Com um bebê em casa, o tempo dos pais estará quase que exclusivo aos cuidados de banho, alimentação, descanso e, ainda, suas atividades domésticas.


10. Mostrar roupinhas e objetos do bebê ajuda no processo de adaptação

VERDADE. Excelente atitude! Mostrar o carrinho do bebê, deixar o cão cheirar as roupinhas, permitir que ele tenha acesso aos brinquedos e outros objetos diminuem a curiosidade do cão a estes pertences que passam a ser normais na rotina da casa.


11. Preciso dessensibilizar o cão ao toque (orelha, rabo, patas etc)

VERDADE. Quando a criança estiver em fase de engatinhar ou andar, ela tenderá a se apoiar no cão. Ou, mesmo brincando e sem intenção de machucar, ela poderá puxar os pelos do cão. É necessário que ele já esteja acostumado a este tipo de toque.

Renato Zanetti é zootecnista e especialista em bem-estar animal, fundador da Dog Solution.

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